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8.2.06

O Ensino Artístico em Portugal: sim.não!...talvez... a ver se...pois...como?... Manuel Almeida e Sousa

sim. não!... talvez... a ver se... pois... como?...
é assim.
e
as coisas seguem ao sabor dos ventos.
nada se decide.
o problema do ensino artístico no nosso país pode ser resumido precisamente assim:
- sim. não!... talvez... a ver se... pois... como?...
e
com o passar do tempo, os projectos e experiências mais sedutores e criativos do nosso ensino básico e secundário são fagogitados pelos senhores que os nossos votos colocaram nas cadeiras do ministério da educação.
cada um que vem, destrói o que o anterior fez - é a sede de apresentar serviço.
apresentam serviço...
e
a arrogância do poder impede-os de dialogar, de solicitar um parecer, de avaliar...

sempre foi assim!...
dizem alguns - acomodados.
e
ninguém diz mais nada.
ninguém questiona.
tão pouco os que deram horas e horas de trabalho gratuito para que as expressões artísticas se implementassem no espaço escola.
acabou, portanto, está dispensado dos nossos serviços, o senhor é contratado... bem vê...
(e nem sequer vale a pena agradecer, para quê? foi um serviço patriótico e a pátria sempre foi merecedora dos esforços dos seus cidadãos. tudo pela nação!...)

no que respeita às várias experiências no campo do teatro-educação, assim foi (também) - desde os tempos da opção de teatro no 9º ano de escolaridade, passando pelas oficinas de expressão dramática do secundário. tudo acabou sem uma pergunta, sem um diálogo com os dinamizadores (vários) que entraram pelas portas das escolas.
sem, enfim, uma avaliação das acções.
acabou
e
ponto final.
o confronto com as artes, com a criatividade, com espontaneidade... sempre incomodou aqueles que gerem o país.
é.
é assim.
e
pronto.
agora vem aí uma nova ideia, a do ensino artístico no 1º ciclo do ensino básico - um pouco na sequência da ideia do inglês ao mesmo nível de ensino...
mas
se o projecto do inglês não está cumprido... (e para quê cumprir um projecto com língua estrangeira quando a língua materna é descurada e maltratada?)
... vamos entrar noutra aventura sem perspectivas? para quê?
ah!...
para que as criancinhas estejam muitas horas na escola.
para fazer o favor aos encarregados de educação...
- com estas novas medidas podem depositar os vossos filhos às sete e meia da manhã e vir levanta-los às sete da tarde. sim. depois das compras no centro comercial.
e quem vai ser o professor de música, de teatro, de dança, de pintura, de cerâmica?...
resposta:
bem... os recursos locais...
muito bem.
está bem.
certo!...
e a formação? e a habilitação?
como sempre:
problemas menores...
entrementes os espaços universitários abrem licenciaturas, formam professores nas diversas expressões artísticas. dizem que "os meninos" vão ser professores, vão ser integrados numa carreira docente...
que bom.
- e se o senhor professor de física-quimica (por exemplo) tiver na escola onde está colocado um horário zero?
então o senhor professor de física-quimica vai a uma acção de formação de qualquer expressão artística - com créditos, claro - e passa a ocupar o espaço do jovem saído de uma universidade...
tão simples quanto isso.
claro que o inverso não é, de todo, possível.
onde é que se viu um professor especializado no ensino artístico a leccionar física-química?...
estamos num país do terceiro mundo, ou quê?...

manuel almeida e sousa

COMENTÁRIOS

Manel.
Boa malha.
O texto retrata bem o país.
Mas... enfim, outra coisa não seria de esperar de ti - afinal são muitos kilómetros da estrada desse paradigma que se chama expressão dramática e agora querem que seja teatro-educação(?). Sabemos lá o porquê dessas coisas...
Falta dizer que a experiência OED (secundário) não foi avaliada pelo ministério da educação do nosso país, mas foi e está a ser proposto pelo ministério da educação espanhol. Eles, os espanhóis, querem o modelo português para o secundário (já formam possíveis professores) e para o ensino básico vão optar pelo projecto inglês. Recusaram o modelo português do básico por não garantir continuidade e ter um programa feito em cima do joelho... (estive aqui a falar com o Diego. Foi ele quem me disse).
Lamento que o texto seja omisso no que respeita aquilo que é a "carreira académica" do teatro em Portugal (não deu para tudo, claro).
Hoje eu sou doutor em drama (graças à tua influência enquanto meu professor do 9º ano) não porque tenha o curso da Escola Superior de Teatro, mas pela minha outra licenciatura a de direito... portanto, o meu doutoramento com tese em "estética teatral" só foi possível por ser advogado, não por ser actor (au Portugal c'est comme ça).
Hoje, na universidade americana onde sou prof., resolvi fazer uma pesquisa pelas práticas da expressão dramática e, casualmente, vi o blogue - o teu nome levou-me a ler o que por lá se diz. E é triste. Muito triste. Ver que no meu país (no que respeita ao ensino artístico) está pior que no tempo da reforma do Veiga Simão (os valores culturais da democracia não chegaram ainda ao ensino, é isso?... ou não chegaram, mesmo, a Portugal?).
E seria de esperar outra coisa dos senhores que se apossaram dos meios de decisão?
Porque não falam disso?
Para que serviu a associação portuguesa de expressão dramática?
Porque não falar de quem é - hoje - responsável (melhor; irresponsável) e deixa cair (sabe-se bem porquê - ou calcula-se) a vertente dramática no ensino secundário? (que outras prioridades para esses senhores?).
Para quando, afinal, o fim desse 3º mundísmo e, sobretudo, desse compadrío que controla (ainda) a linguagem teatral do meu (ainda) país?
E já agora, por mera curiosidade; quem são os docentes - hoje - do conservatório e dessas universidades que resolveram abrir cursos na área do teatro?
Seria interessante abrir espaço a esse tipo de informação. Nós por cá (entenda-se fora da fronteira) já somos bastantes e gostaríamos de saber (não. Não é piada, mas pode vir a dar vontade não de rir, mas de chorar).

Gonçalo B. Santos



E assim é...A Arte tem a ver com o engenho para transformar os momentos mais cinzentos em caldeirões fervilhantes e isso assusta a "mediocracia".Não se faz porque é diferente, não se avalia porque pode ser aterrador ou contagiante e isso é perigoso!A criatividade deveria ser ponto fulcral da educação mas é bem mais tranquilizante o aluno que repete em vez do que propõe...É assim mas não tem que se manter, tenho trabalhado com pouca conta e todo o risco para demonstrar que na essência do Teatro está o melhor laboratório de vida, com problemas para resolver, equipas para funcionar, ideias para acontecer e finalizações para sentir a gosto de construir!Defendo que se deve trabalhar por Projecto, e mesmo neste momento estou a tentar encontrar um solução para um desses momentos der ocupação de crianças e espaços onde quase sempre falta a alma e sobram meninos cansados de nada saborearem e tanto vislumbrarem!!!Fui tua colega numa pós-graduação na faculdade de Letras e ontem mesmo me lembrei de ti!A Unesco aconselha as escolas a rápidamente chamarem artistas para com eles trabalharem e em Portugal parece que ainda há um estranho medo da subversão da Arte e da Criatividade por vezes por culpa de alguns exemplos de excesso de improviso.O método e fundamental na criação, como já disse e sinto na feitura de um projecto teatral ou para-teatral todas as competências são trabalhadas, como num momento de Vida!Rita Tormenta
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tormentaemcopodagua, at 6:22 PM

6 comentários:

gonçalo b santos disse...

Manel.
Boa malha.
O texto retrata bem o país.
Mas... enfim, outra coisa não seria de esperar de ti - afinal são muitos kilómetros da estrada desse paradigma que se chama expressão dramática e agora querem que seja teatro-educação(?). Sabemos lá o porquê dessas coisas...
Falta dizer que a experiência OED (secundário) não foi avaliada pelo ministério da educação do nosso país, mas foi e está a ser proposto pelo ministério da educação espanhol. Eles, os espanhóis, querem o modelo português para o secundário (já formam possíveis professores) e para o ensino básico vão optar pelo projecto inglês. Recusaram o modelo português do básico por não garantir continuidade e ter um programa feito em cima do joelho... (estive aqui a falar com o Diego. Foi ele quem me disse).
Lamento que o texto seja omisso no que respeita aquilo que é a "carreira académica" do teatro em Portugal (não deu para tudo, claro).
Hoje eu sou doutor em drama (graças à tua influência enquanto meu professor do 9º ano) não porque tenha o curso da Escola Superior de Teatro, mas pela minha outra licenciatura a de direito... portanto, o meu doutoramento com tese em "estética teatral" só foi possível por ser advogado, não por ser actor (au Portugal c'est comme ça).
Hoje, na universidade americana onde sou prof., resolvi fazer uma pesquisa pelas práticas da expressão dramática e, casualmente, vi o blogue - o teu nome levou-me a ler o que por lá se diz. E é triste. Muito triste. Ver que no meu país (no que respeita ao ensino artístico) está pior que no tempo da reforma do Veiga Simão (os valores culturais da democracia não chegaram ainda ao ensino, é isso?... ou não chegaram, mesmo, a Portugal?).
E seria de esperar outra coisa dos senhores que se apossaram dos meios de decisão?
Porque não falam disso?
Para que serviu a associação portuguesa de expressão dramática?
Porque não falar de quem é - hoje - responsável (melhor; irresponsável) e deixa cair (sabe-se bem porquê - ou calcula-se) a vertente dramática no ensino secundário? (que outras prioridades para esses senhores?).
Para quando, afinal, o fim desse 3º mundísmo e, sobretudo, desse compadrío que controla (ainda) a linguagem teatral do meu (ainda) país?
E já agora, por mera curiosidade; quem são os docentes - hoje - do conservatório e dessas universidades que resolveram abrir cursos na área do teatro?
Seria interessante abrir espaço a esse tipo de informação. Nós por cá (entenda-se fora da fronteira) já somos bastantes e gostaríamos de saber (não. Não é piada, mas pode vir a dar vontade não de rir, mas de chorar).

Gonçalo B. Santos

Anónimo disse...

Very pretty site! Keep working. thnx!
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Anónimo disse...

I love your website. It has a lot of great pictures and is very informative.
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Anónimo disse...

I find some information here.

tormentaemcopodagua disse...

E assim é...
A Arte tem a ver com o engenho para transformar os momentos mais cinzentos em caldeirões fervilhantes e isso assusta a "mediocracia".
Não se faz porque é diferente, não se avalia porque pode ser aterrador ou contagiante e isso é perigoso!
A criatividade deveria ser ponto fulcral da educação mas é bem mais tranquilizante o aluno que repete em vez do que propõe...
É assim mas não tem que se manter, tenho trabalhado com pouca conta e todo o risco para demonstrar que na essência do Teatro está o melhor laboratório de vida, com problemas para resolver, equipas para funcionar, ideias para acontecer e finalizações para sentir a gosto de construir!
Defendo que se deve trabalhar por Projecto, e mesmo neste momento estou a tentar encontrar um solução para um desses momentos der ocupação de crianças e espaços onde quase sempre falta a alma e sobram meninos cansados de nada saborearem e tanto vislumbrarem!!!
Fui tua colega numa pós-graduação na faculdade de Letras e ontem mesmo me lembrei de ti!
A Unesco aconselha as escolas a rápidamente chamarem artistas para com eles trabalharem e em Portugal parece que ainda há um estranho medo da subversão da Arte e da Criatividade por vezes por culpa de alguns exemplos de excesso de improviso.
O método e fundamental na criação, como já disse e sinto na feitura de um projecto teatral ou para-teatral todas as competências são trabalhadas, como num momento de Vida!
Rita Tormenta

fábio dionisio (estudante de artes visuais) disse...

em portugal formam-se milhares de pessoas em vertentes artisticas, fazem-se pós-graduações nas mais diversas áreas,investiga-se, produz-se Arte que em nada nos diminui comparativamente com outros países, pelo contrário, que é reconhecida internacionalmente pelo seu espirito inovador,empreendedor e relevãncia para as questões levantadas pela contemporãneidade...etc,etc,etc. Então porque carga de água continuam os governantes deste país a abordar o ensino das artes de uma forma tão leviana? como se ele se tratasse de uma questão de tempos-livres, de entreter as criançinhas! para depois equipados da mais vil das hipócrisias utilizar os artistas e a arte portuguesa (que não compreendem nem apoiam) como cartão de visita, a distribuir com sorrisos vazios pelas personalidades alienigenas que nos visitam.Em Portugal o poder politico move-se pelo ensino da Arte com a delicadeza de um elefante numa loja de porcelanas! que me perdoem os elefantes.